Ganhei um passarinho na gaiola, para me fazer companhia quando ele sair. Mas é que ele sai muito e me impede de me divertir. Eu só queria viver como sempre, com liberdade para ir e vir. Mas, já que estou ao seu lado, tenho uma posição a cumprir. Eu não o quero magoar, mas estou presa; não sonhei que seria assim. Pensei que teríamos dias bonitos e alegres. Hoje percebo que me tornei o passarinho na gaiola.
Você se afastou, dizendo se sentir enganado. A nossa história foi cheia de acontecimentos, mas não te dá o direito de ir e me deixar empacado. Vivendo ao lado de outro alguém, me colocando em privado de te esquecer também. Seu beijo me vem à mente, mas, quando trocamos olhares, já não sei mais quem é quem. Não te enganei, mas você escolheu se afastar — afastar sem saber se existia, talvez, um porém.
Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim. Procuro uma escapatória de um destino infeliz, no qual não tenho escolhas, apenas a esperança de que uma mudança possa existir. Vivendo em silêncio e perdendo o direito de ir e vir, presa ao seu comando e me reinventando através de ti. Mas não posso aceitar esse meu fim. Se eu luto, eu decaio, mas me levanto com garra para prosseguir. É só o começo do direito que cada mulher irá conseguir. Não abaixe a cabeça. Imponha limites. “Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim…” — Folhetim, interpretada por Gal Costa, 1978.
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