Ganhei um passarinho na gaiola, para me fazer companhia quando ele sair. Mas é que ele sai muito e me impede de me divertir. Eu só queria viver como sempre, com liberdade para ir e vir. Mas, já que estou ao seu lado, tenho uma posição a cumprir. Eu não o quero magoar, mas estou presa; não sonhei que seria assim. Pensei que teríamos dias bonitos e alegres. Hoje percebo que me tornei o passarinho na gaiola.
Você se afastou, dizendo se sentir enganado. A nossa história foi cheia de acontecimentos, mas não te dá o direito de ir e me deixar empacado. Vivendo ao lado de outro alguém, me colocando em privado de te esquecer também. Seu beijo me vem à mente, mas, quando trocamos olhares, já não sei mais quem é quem. Não te enganei, mas você escolheu se afastar — afastar sem saber se existia, talvez, um porém.
Jamais voltará Creio em mim que você jamais voltará, voltará a me fazer um carinho calmo, como nos seus cafunés. Voltará a compartilhar risadas, daquelas que nos fazem guardar memórias. Deixou de rir; agora é eterno o seu calmo silêncio. A idade chegou e te levou dos meus braços. Prender você a mim não seria o certo; o certo foi te deixar ir. Você jamais voltará a me fazer sorrir.
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